Homenagem e protesto sobre a morte de Michael Jackson

Michael JacksonVenho, ao mesmo tempo, prestar uma homenagem e fazer um protesto.

Este foi um grande artista. Uma pessoa de grandes realizações dentro da cultura de massa. Foi músico, compositor, dançarino, roteirista, diretor, produtor e um sem-número de outras atribuições. Em sua carreira obteve grandes feitos, muitos nunca superados e outros pouco lembrados.

Claro, existe o lado negro disso tudo. Ele talvez nunca soube, ou pouco tenha conhecido, do que é se desenvolver livre. Não confiava em ninguém a ponto de considerar seus “amigos” um monte daqueles manequins de plástico. Foi vítima de um acidente durante a gravação de um comercial que talvez tenha iniciado o seu processo de “decadência”, viciando-o em analgésicos e outras drogas. Enfim, tinha dois pés no mundo da fantasia criado por ele mesmo pra fugir dos fãs e da mídia antropófaga.

Há alguns dias a mídia e uma boa quantidade de pseudo-fãs ria dele, quando tentou iniciar uma nova turnê. Agora, todos vemos que mesma mídia e massa de pseudo-fãs é que estão protagonizando o show.

Michael Jackson foi devorado, mastigado, engolido e agora, depois de morto, vai ser regurgitado.

Eu fiz uma busca no Google momentos antes de vir aqui, pra fazer o meu próprio post. E, realmente, é triste ver como somos miseravelmente grotescos por dentro. Talvez muito mais que o monstro Michael Jackson que criamos.

Se você fizer o mesmo, vai ver as notícias e imagens que saíam sobre ele (muitas de poucos dias atrás, por conta dos 25 anos de Thriller). Todas as histórias, todos os comentários, as diversas maneiras como ele era atacado. O misticismo criado ao seu redor era tão grande que nem sequer acreditamos na notícia de sua morte. Achamos ser mais uma jogada de marketing, outra polêmica criada pela mídia. Esse é o nosso mundo, nosso inconsciente coletivo. Elegemos alguém pra ser o nosso monstro do jardim. Nosso ogro da floresta. Nosso dragão no castelo. Agora eu pergunto, vendo toda essa movimentação: quem era o monstro afinal?

Tenho vergonha.

Eu prefiro ficar com as músicas mesmo.

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Apócrifo - Eu queria que você soubesse

 

Apócrifo é um projeto solo lo-fi de Luciano Ribeiro, vocalista da banda TRANZE. São músicas excedentes dos trabalhos com o grupo. Algumas novas, outras bem antigas. Todas gravadas e executadas apenas por ele, dentro do seu quarto.

Novas músicas serão lançadas regularmente, com uma freqüência mínima de 2 semanas a, no máximo, um mês. Ou, à medida em que forem concluídas.

Agora é a vez de “Queria que você soubesse”, que contou com a participação de Florindo Ayres na guitarra solo.

Próximo lançamento agendado para 06 de julho de 2009.

Download da música “Queria que você soubesse”

Para mais músicas, visitar o TRANZE

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Perfil do Apócrifo no Myspace

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Projeto Apócrifo - Não Adianta

 

É isso aí, galera.

Como tinha prometido, vou começar a escoar as gravações home made que tenho aqui.

Pra iniciar a bagaça, vou postando uma música que era uma idéia incompleta que tinha aqui no pc. Peguei uma letra que escrevi há mais ou menos um mês e juntei as coisas.

Acho que já expliquei isso, mas as gravinas são todas executadas só por mim, no conforto do lar. :)

É tudo uma brincadeirinha, então não criemos muitas expectativas… ahahaha :)

Lá vai, BLAM! http://www.myspace.com/projetoapocrifo

Abrações, povo!

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Não Adianta
Luciano Ribeiro

Não adianta parar e esperar
Não adianta virar pra trás e olhar
Não adianta tentar mais uma vez
Não adianta mentir mais pra vocês
Não adianta pedir uma migalha
Não adianta nem jogar a toalha
Não adianta lamentar a derrota
Não adianta insistir com um idiota

Você pode até tentar
Você pode até tentar
Mas não vai dar
Você não vai conseguir negar

Não adianta olhar para o retrato
Não adianta viver amargurado
Não adianta fazer outro caminho
Não adianta querer tudo de volta
Não adianta ir pro bar encher a cara
Não adianta nem dar a cara a tapa
Não adianta tentar um suicídio
Não adianta nem mesmo ir pro hospício

Você pode até tentar
Você pode até tentar
Mas não vai dar
Você não vai conseguir negar

Você pode até tentar
Você pode até tentar
Você pode até tentar
Você pode até tentar

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Saudade nos olhos de um gato

Tenho sentido uma saudade positiva de algumas coisas. É bom sentir falta de pequenos prazeres, como tirar uma boa fotografia, escrever uma crônica, uma música. Simplesmente sentar num lugar que tenha bastante verde e ficar ali, lendo e pensando na vida. Depois de tanto passar por momentos de loucura, bateu a vontade de sossegar de novo. Isso, claro, independente de qualquer outro fator externo. Uma decisão completamente autônoma, o que me faz sentir orgulhoso pela maneira como tenho agido ultimamente.

Por isso, hoje (ou ontem, quem sabe) pode ser o dia da saudade. Pode ser o dia da nostalgia. Mas essa não é mais capaz de machucar. Na verdade, NUNCA foi capaz de causar dano algum. Agora consigo ter boas sensações apreciando essas velhas imagens. Talvez pudesse fazer tudo diferente, se tivesse uma oportunidade de começar de novo. Mas pensar nisso é apenas masturbação mental. Não leva a lugar algum.

Saudade nos olhos de um gatoÉ estranho olhar pras suas atitudes mais importantes num passado recente e observar o quanto é possível fazer uma reviravolta em pouco tempo. Chega a ser engraçado, pra não dizer ridículo, ver que podemos estragar todo o nosso momento presente em culpa por causa das coisas que já fizemos e com medo do que o futuro nos reserva.

Talvez, o velório mais difícil da minha vida não tenha sido de nenhum parente ou amigo, mas do passado e do meu medo. Assim, pude notar com toda a clareza de quem está apenas olhando de longe que perdi os melhores anos, as melhores companhias, as melhores noites sofrendo em pânico de um monstro invisível, um fantasma que só existia na minha cabeça incontrolavelmente fértil.

A dica do dia é que acendamos uma vela para o nosso passado. Paremos de perder tempo imaginando o futuro. A vida acontece no presente, nesse exato segundo que não podemos segurar. Nesse exato instante que acabou de passar quando você leu essa linha. Então, meus amigos, parem de perder tempo comigo e vão aproveitar vida, que pode não ser um paraíso, mas ainda assim é doce.

Luciano Ribeiro

PS.: O gato da foto é o meu Hobbes :)

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Rapidinhas de Fetiches Estranhos no Café com Arte

Ontem teve show do TRANZE no Café com Arte. Tocamos junto com o Mostarda na Lagarta e foi ótimo.

Sempre me surpreendo com o ritmo dos shows. As coisas geralmente não acontecem como o planejado e é isso que torna tudo muito mais divertido…

Fizemos taaantos planos. Tentamos deixar tudo certo pra fazer a coisa certa. No final, isso foi exatamente o que NÃO fizemos. Tocamos umas quatro músicas que estavam fora do repertório, fizemos bis de “Viver pra me Destruir”. Rolou um duelo de gaita com o Dan, tecladista do Mostarda na Lagarta.

Enfim, tudo muito divertido. Noite proveitosa.

Em breve, mais shows, mais gravações e mais trabalheira.

Qualquer novidade, estarei postando as atividades por aqui.

Abraços!

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O Destino Ri de Você

 

Admito que às vezes esqueço o sentido da vida. Por sorte, tenho os meus amigos. Eles sempre me lembram de quem eu sou. Sempre estão lá nos piores momentos. Mesmo que nem tenham noção disso. E o melhor é que transformam esses piores momentos nas melhores coisas da vida.

Muitas vezes penso em desistir. Fazer minhas malas e ir embora, mas eles me fazem repensar isso. Penso em abandonar meus sonhos, seguir um novo rumo qualquer, abandonar o passado, a família, a casa. Tudo. Mas quando rio ao lado deles, as coisas parecem novamente tão fáceis de encarar. Tão bonitas, tão divertidas que a possibilidade de não ter mais isso se torna aterrorizante.

Temos mais uma missão pela frente. Precisamos dar um corpo a esse sonho. Fazer essa mensagem tocar a quem possa beneficiar.

Enquanto isso não acontecer, não posso desistir. Não posso olhar pra trás e dizer que desisti. Não posso.

Temos mais um show. Talvez seja o último. É bom cantar como se fosse o último.

Porque pode ser.

Lembrem-se: todos vamos morrer.

TRANZE no Café com Arte, dia 15/05.

Luciano Ribeiro

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http://www.tranzeonline.com

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Desculpas

Johnny Cash em fuga...

Queria pedir desculpas a todas as pessoas que procuraram por mim e eu não estava lá. Àquelas que quiseram estar comigo e eu fugi. Às pessoas que quiseram me amar e eu não deixei. Àquelas que precisaram de mim e eu decepcionei.

Queria pedir desculpas também por todas as vezes que ostentei uma falsa perfeição moral, agredindo os que não tinham medo de admitir a sua natureza humana.

Também peço àqueles que eu abusei do direito de ser humano e forcei erros e mais erros, falhas e mais falhas, com boas ou más intenções. Afinal, erros são sempre erros e machucam da mesma forma.

A você em especial, peço desculpas por ter deixado o telefone tocando, sabendo que tudo o que queria era ouvir a minha voz, desabafar sobre o dia ou me contar uma novidade. Desculpa. Saiba que hoje me arrependo de não ter permitido a sua aproximação. De uma forma que só o destino ou Deus sabe fazer, agora sofro o que mereço. Essa sensação de ficar esperando o telefone tocar e lembrar que mandei todos embora não é das melhores. Mas é o preço e eu preciso pagar. Talvez lhe console saber que passo por isso.

Existem também aqueles que não fui capaz de perdoar. Peço desculpas pelas coisas que falei, pelas artimanhas que tramei e também por ter ido tão longe em nome da vingança.

Peço desculpas por ter feito tantas besteiras em nome do orgulho, medo e egoísmo. Por aquelas vezes em que deixei alguém na mão apenas pra sair por cima. Por todos que ofendi por terem feito algo que considerei humilhação (muitas vezes nem eram). E todas as vezes que pensei apenas em mim, magoando alguém.

Desculpa, o problema é comigo.

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Saiba disso

Chegou a hora de dizer sim.

Quando saio, procuro por você pelas ruas. Saiba disso.

Saiba também que bebo na esperança de conseguir, por um completo desatino, criar coragem de telefonar-lhe outra vez. E que sinto saudade do tempo em que eu conseguia ser menos corajoso e mais inconseqüente. Dessa forma, não teria receio algum do que você pensaria ao ver o meu número chamando no seu celular.

Às vezes ando pela cidade, por lugares os quais realmente não fazem parte da minha trajetória, ansioso pelo momento em que vou lhe enxergar, mesmo que ao longe. Saiba disso.

Saiba que os meus cigarros estão prestes a acabar e, toda vez que isso acontece, lembro-me que você não vai estar ali pra me lembrar que preciso cuidar da minha saúde, ou não posso me desgastar tanto por besteiras sem utilidade. Saiba disso.

Saiba que às vezes beijo, abraço, passo as mãos por cabelos e sinto cheiros. E nesses outros corpos, outras sensações, outros prazeres procuro apenas um. E esse nunca está lá. Saiba disso.

Saiba também que as noites são longas, muito longas. Enlouquecidamente agitadas e alucinadamente recheadas de fugas azuis, mas o meu desejo maior é de encontrar-me novamente naquelas tardes onde não é preciso fugir. Saiba disso.

Cansei da bela fuga. Essa beleza de andar, da solidão de cantar e rumar em outra direção não é mais a mesma. A liberdade reside também no direito de ficar. Cansei de dizer não. Chegou a hora de dizer sim.

Saiba disso.

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A trapaça

Ela dorme.

Por alguma outra piada do destino, a primeira visão que tive ao acordar foi de você, de olhos fechados, respirando suavemente e, provavelmente, sonhando com algum lugar melhor do que onde estávamos. Não pude sequer lhe beijar a testa, como faria normalmente. Não pude ficar olhando. Não pude fazer nada.

Me levantei rápido. Olhei a janela e percebi o sol já bastante forte. Procurei um cigarro e acendi. Peguei a guitarra que estava jogada num canto, me sentei e comecei a dedilhar os acordes da música que tinha aprendido no dia anterior. Você se moveu na cama, procurou por mim e me viu escondido atrás daquela música tocada baixinha, depois voltou a dormir, ou pelo menos fingiu fazer isso.

Enquanto tocava, meus pensamentos passaram pelo ocorrido. Cenas de um clipe triste, amargo e ressentido. Olhares não importavam mais. A música tinha tomado tons menores. As aventuras se encerravam e o que sobrava era a despedida, alguns cigarros e uma piada interna cuja graça havia passado. Talvez eu até desejasse que fosse diferente, mas o Orgulho (sempre ele) e o medo de abrir novas feridas em cima de velhas cicatrizes me impediam de mudar os fatos.

A verdade é que, como sempre, eu não estava lá. Essa força misteriosa que faz tudo passar veio e lhe levou. Você foi, como todas as outras coisas. Levou consigo aquelas risadas e uma boa quantidade de álcool e cigarros.

Eu, como sempre, trapaceando no jogo, não me permiti perder tudo. Emoldurei algumas emoções, alguns traços, alguns acordes, algumas lembranças. Você virou um personagem.

Agora é imortal.

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As coisas não são assim tão fáceis

Existe um longo caminho a percorrer. Procura em meio à escuridão por aquela razão. Aquele todo que sempre se oferece só pela metade. Sente o presente se esquivando do futuro e diz ser o tiro e a bala perdida. Finge dor pra ter o que sentir. Mas no final, lamenta ser assim. Mais do que nunca, agora sabe: a dor que sente é munição pras suas linhas e, talvez, não tenha o direito de sentir paz.

Descobriu que também lamenta cometer tantos erros. Tantos erros sem retorno. Erros silenciosos, sem espaço pra perdão. Acabou percebendo, talvez tarde demais que palavras machucam, mesmo quando não ditas. E que não adianta sair por aí, vagando por bares lotados de vidas vazias, procurando por uma paz declarada que só serve pra rechear ainda mais essas batalhas antigas. Mais uma vez estava ressacado da realidade e tomou um bom gole de ilusão.

Assegurou-se de ter aprendido que os olhos são o espelho da alma. Afinal, precisa levar alguma coisa e, com certeza, ninguém vai tirar esse aprendizado. Talvez, quanto maiores os olhos, maior a alma. Quem sabe? Definitivamente, você nunca saberá. Não tem esse direito. Não merece.

E nem pra isso você parece servir. Deu com a cabeça num poste e não adiantou. Continua exatamente o mesmo idiota. Disse que iria adquirir um cachorro, mas preferiu um gato. Não é responsável o suficiente pra criar um bicho tão dependente. Finge que o seu desprezo é “liberdade”, mas na verdade é pura falta de atenção, puro descuido. Nada intencional, só burrisse mesmo.

Agora encara essas páginas em branco que retratam sua vida. Você não passa de uma página sem dono esperando ser lida. Médico doente em busca de saúde. Hoje, se lembra dos dias, dos velhos momentos. Cabelos ao vento, o sol bem à frente. Ria de tudo, parecia piada. Mas a piada era você.

Um violão, uma guitarra, um assovio solitário. Avião no ar sem trem de pouso. Palavras bem grafadas com sentido vazio. Mente projetada em um outro espaço. Que espaço seria esse? Você não sabe. Não faz a mínima idéia de onde seja, ou mesmo de onde esteja.

O destino ri de você.

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