Venho, ao mesmo tempo, prestar uma homenagem e fazer um protesto.
Este foi um grande artista. Uma pessoa de grandes realizações dentro da cultura de massa. Foi músico, compositor, dançarino, roteirista, diretor, produtor e um sem-número de outras atribuições. Em sua carreira obteve grandes feitos, muitos nunca superados e outros pouco lembrados.
Claro, existe o lado negro disso tudo. Ele talvez nunca soube, ou pouco tenha conhecido, do que é se desenvolver livre. Não confiava em ninguém a ponto de considerar seus “amigos” um monte daqueles manequins de plástico. Foi vítima de um acidente durante a gravação de um comercial que talvez tenha iniciado o seu processo de “decadência”, viciando-o em analgésicos e outras drogas. Enfim, tinha dois pés no mundo da fantasia criado por ele mesmo pra fugir dos fãs e da mídia antropófaga.
Há alguns dias a mídia e uma boa quantidade de pseudo-fãs ria dele, quando tentou iniciar uma nova turnê. Agora, todos vemos que mesma mídia e massa de pseudo-fãs é que estão protagonizando o show.
Michael Jackson foi devorado, mastigado, engolido e agora, depois de morto, vai ser regurgitado.
Eu fiz uma busca no Google momentos antes de vir aqui, pra fazer o meu próprio post. E, realmente, é triste ver como somos miseravelmente grotescos por dentro. Talvez muito mais que o monstro Michael Jackson que criamos.
Se você fizer o mesmo, vai ver as notícias e imagens que saíam sobre ele (muitas de poucos dias atrás, por conta dos 25 anos de Thriller). Todas as histórias, todos os comentários, as diversas maneiras como ele era atacado. O misticismo criado ao seu redor era tão grande que nem sequer acreditamos na notícia de sua morte. Achamos ser mais uma jogada de marketing, outra polêmica criada pela mídia. Esse é o nosso mundo, nosso inconsciente coletivo. Elegemos alguém pra ser o nosso monstro do jardim. Nosso ogro da floresta. Nosso dragão no castelo. Agora eu pergunto, vendo toda essa movimentação: quem era o monstro afinal?
Tenho vergonha.
Eu prefiro ficar com as músicas mesmo.
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