Archive for the 'Ensaios' Category

Não diga nada

Paixão, corpo e amor

Presume-se que um bom relacionamento surge através de uma longa conversa. Uma convivência, onde duas pessoas analisam, passo a passo, olhar a olhar, cada característica do outro, como quem escolhe minuciosamente um novo objeto de consumo. Esse é o padrão, o que dizem por aí os livros de auto-ajuda ser o “certo”, o lúcido.

O princípio é muito lógico. Uma decisão racional deve resultar numa consequência completamente racional e previsível. Logo, se a pessoa for escolhida com base em aspectos concretos, bem definidos, teremos uma relação estável, fundamentada no diálogo e compreensão. O sentimento, puro e completo, surge. Temos uma pessoa bonita, perfeitamente enquadrada nos nossos sonhos. Ou será que não?

Essa relação de sentimentalidade racionalizada pode mesmo ser vivida, até seria recomendado que todos tivessem esse tipo de experiência, apenas pra saber o quão decepcionante esse fracasso pode se tornar.

Palavras são o grande problema. Palavras não servem pra nada. A verdadeira comunicação não acontece quando elas são ditas. Nada do que você diz é efetivamente o que quer dizer de verdade. Não são as palavras que definem isso. É outra coisa. Outra coisa. Mas que coisa? Basta lembrar que os melhores momentos sempre são os de silêncio. Não é ouvindo que você sente. É respirando. Provando. Lambendo. Cheirando. Tocando. É assim que você diz e consegue ser entendido.

Ignore seus sentidos de longa distância: audição e visão. Faça contato através de suas mãos. Invada alguém. Cheire, lamba, morda. Apague a luz, sinta. Bata, se preciso for. Deite por cima, envolva. Viva esse agora.

Depois disso, ame.

Mas não diga nada.

Luciano Ribeiro

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Foda-se…

Mais uma noite sem dormir, outra noite de longas reflexões. Cigarro na mão esquerda e cerveja na direita. Na cadeira ao lado, alguém. O que importa?

Vivendo rápido, cada dia mais rápido. Loucuras, palavras ríspidas, mentiras, crueldade escorrendo pela língua.

Insanidade batendo à porta. Outra vez.

É assim que as coisas funcionam. E quando perguntam se ele se importa, o que dizer, a não ser “foda-se”?

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Pronto pra morrer?

Você está preparado pra morrer? Essa pergunta, aparentemente simples e, ao mesmo tempo, difícil de responder, acabou me trazendo uma luz que não imaginava encontrar tão cedo. Tudo isso pelo fato de estar diante de uma brusca mudança na minha vida.

Quando você imagina a morte como algo presente nesse processo contínuo de acordar/desacordar que chamamos de vida, acabamos por dar menos importância a certos “detalhes”, não nos abalamos por besteiras. Passamos a enfrentar esses dias e noites como pequenas etapas a serem superadas e fazemos todo o possível pra não deixar pendência alguma.

Falando de minhas próprias experiências, posso afirmar que deixar pendências do passado, como fantasmas a lhe assombrarem é a maneira mais fácil de tornar-se alguém infeliz. É a isso que me refiro quando digo “pronto pra morrer”.

Se você contar com a morte no dia de amanhã (ou hoje mesmo), será que não buscaria aquela liberdade, cuja existência sabemos estar apenas dentro de nós? Você ainda manteria aquela rixa que sabe ser apenas questão de orgulho? Você deixaria de dizer o quanto ama alguém? Ou, mais ainda, deixaria de dizer que não ama alguém?

Deixemos a mediocridade de lado. Vivamos o presente contínuo. Saibamos que tudo muda. Impermanência. Realizemos nossos desejos. Façamos loucuras.

E lembrem-se sempre de avisar às pessoas: “todos vamos morrer”.

Luciano Ribeiro
Preparando-se pra morrer

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A Doença

Você tem um poder e uma responsabilidade. Você é capaz de cativar as pessoas e atingí-las conforme o seu desígnio. Sabe como fazer e a hora em que fazer, sabe como conectar-se e envolver. Não se perca pensando durante tanto tempo em coisas que estão além do seu controle. Aquilo que tiver que ir, irá e você jamais poderá impedir.

O que precisa preocupar-se agora é a forma como atinge as pessoas e por quê está escapando de si mesmo. Pergunte-se na hora mais silenciosa da noite: “O que está acontecendo comigo?” Uma voz virá em seu socorro e, lá no fundo, te inspirará a solução pro seu problema.

As pessoas não pensam que você é algo que não é. Você que nega aquilo que é, cedendo à influências negativas que estão ao seu redor. O personagem não existe. Nunca existiu. O personagem é a realidade.

O que você PENSA ser a realidade é que é falso. Você é feliz e tem inúmeras provas disso, o tempo inteiro. Você está cego pelo seu orgulho que agora se manifesta fantasiando-se e confundindo-lhe. Pare de fugir das repostas. Pare de negar a verdade.

Você está doente.

Aquilo que lhe faz mal não pode fazer parte da sua natureza. Abra os olhos. Levante-se. Viva.

E sorria.

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Coragem

O certo não é desejar o fim do sofrimento, mas procurar em tudo o que possui de bom dentro de si, energias pra lutar e sair vitorioso da pior batalha que pode existir: a que travamos contra nós mesmos. Existem doenças e Doenças, problemas e Problemas. Uns são fruto da nossa própria imaginação, outros são conseqüência terrível de atos e erros que acumulamos com o tempo. Mas nada disso torna um ou outro menos importante. Abandone os seus problemas e os verá crescer como uma simples bola de neve. Ignore um sintoma e verá um câncer brotar dentro de você.

Não devemos ser tão tolos a ponto de pensar que podemos passar por tudo sozinhos, nem tão dependentes a ponto de esperar que alguém venha nos salvar. Conte com os outros como uma ferramenta, um suporte. Nunca deixe de pedir ajuda, nunca deixe o seu orgulho te dominar a ponto de negar uma mão amiga. Mas lembre-se sempre que essa mão não vai te poupar do sofrimento. Nada vai te poupar do sofrimento. O que você precisa é de coragem pra enfrentá-lo de cabeça erguida.

Numa época em que a gente tenta carregar o mundo nas costas, nada melhor do que descobrir que pode contar com alguém pra lhe ajudar. Dessa forma, você pode largar o desespero pra trás e lutar, reunir forças pra vencer.

Cultivar a coragem.

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