Archive for the 'Outros' Category

Entenda…

Você acorda no meio da madrugada, seus olhos ardem e, subitamente, é como se tivesse sido transportado pra algum tipo de realidade paralela.

Ao abrir os olhos, a claridade atravessa a vista e parece permear sua cabeça com ainda mais dor. O difícil é perceber exatamente onde ela é real e onde é fruto das lembranças que cortam pedaços de caráter como uma navalha, sutil e precisa.

As imagens arrancadas cirurgicamente levam consigo sensações, algumas simplesmente agradáveis, outras tão boas que a consciência da distância delas, se afastando cada vez mais no passado, faz com que esse estranho desconforto se acentue ainda mais. E não adianta colocar as mãos no rosto pra fazer parar, ou para esfregar os olhos, numa tentativa insana de conter as lágrimas que caem, tanto pela ardência, quanto pelas lembranças e desespero, ao ver que não há nada a se fazer. Você não pode impedir.

Você simplesmente não pode impedir a vida de seguir em frente e agora parece perceber. É então que o medo bate à porta da sua insanidade e você solta um pequeno sorriso. Você abaixa a cabeça, procurando novamente a escuridão, caminha tonto pelo quarto, tateando soluções, se esbarrando, derrubando coisas, golpeando o que lhe bloqueia.

Chega um momento que não resta outra opção a não ser procurar a luz do desconforto e da dor. Pois por onde ela entra, uma vez removidas as grades, é por onde você finalmente pode fugir, pra encontrar…

Seja lá o que for.

Luciano Ribeiro

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Rapidinhas de Fetiches Estranhos no Café com Arte

Ontem teve show do TRANZE no Café com Arte. Tocamos junto com o Mostarda na Lagarta e foi ótimo.

Sempre me surpreendo com o ritmo dos shows. As coisas geralmente não acontecem como o planejado e é isso que torna tudo muito mais divertido…

Fizemos taaantos planos. Tentamos deixar tudo certo pra fazer a coisa certa. No final, isso foi exatamente o que NÃO fizemos. Tocamos umas quatro músicas que estavam fora do repertório, fizemos bis de “Viver pra me Destruir”. Rolou um duelo de gaita com o Dan, tecladista do Mostarda na Lagarta.

Enfim, tudo muito divertido. Noite proveitosa.

Em breve, mais shows, mais gravações e mais trabalheira.

Qualquer novidade, estarei postando as atividades por aqui.

Abraços!

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A trapaça

Ela dorme.

Por alguma outra piada do destino, a primeira visão que tive ao acordar foi de você, de olhos fechados, respirando suavemente e, provavelmente, sonhando com algum lugar melhor do que onde estávamos. Não pude sequer lhe beijar a testa, como faria normalmente. Não pude ficar olhando. Não pude fazer nada.

Me levantei rápido. Olhei a janela e percebi o sol já bastante forte. Procurei um cigarro e acendi. Peguei a guitarra que estava jogada num canto, me sentei e comecei a dedilhar os acordes da música que tinha aprendido no dia anterior. Você se moveu na cama, procurou por mim e me viu escondido atrás daquela música tocada baixinha, depois voltou a dormir, ou pelo menos fingiu fazer isso.

Enquanto tocava, meus pensamentos passaram pelo ocorrido. Cenas de um clipe triste, amargo e ressentido. Olhares não importavam mais. A música tinha tomado tons menores. As aventuras se encerravam e o que sobrava era a despedida, alguns cigarros e uma piada interna cuja graça havia passado. Talvez eu até desejasse que fosse diferente, mas o Orgulho (sempre ele) e o medo de abrir novas feridas em cima de velhas cicatrizes me impediam de mudar os fatos.

A verdade é que, como sempre, eu não estava lá. Essa força misteriosa que faz tudo passar veio e lhe levou. Você foi, como todas as outras coisas. Levou consigo aquelas risadas e uma boa quantidade de álcool e cigarros.

Eu, como sempre, trapaceando no jogo, não me permiti perder tudo. Emoldurei algumas emoções, alguns traços, alguns acordes, algumas lembranças. Você virou um personagem.

Agora é imortal.

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As coisas não são assim tão fáceis

Existe um longo caminho a percorrer. Procura em meio à escuridão por aquela razão. Aquele todo que sempre se oferece só pela metade. Sente o presente se esquivando do futuro e diz ser o tiro e a bala perdida. Finge dor pra ter o que sentir. Mas no final, lamenta ser assim. Mais do que nunca, agora sabe: a dor que sente é munição pras suas linhas e, talvez, não tenha o direito de sentir paz.

Descobriu que também lamenta cometer tantos erros. Tantos erros sem retorno. Erros silenciosos, sem espaço pra perdão. Acabou percebendo, talvez tarde demais que palavras machucam, mesmo quando não ditas. E que não adianta sair por aí, vagando por bares lotados de vidas vazias, procurando por uma paz declarada que só serve pra rechear ainda mais essas batalhas antigas. Mais uma vez estava ressacado da realidade e tomou um bom gole de ilusão.

Assegurou-se de ter aprendido que os olhos são o espelho da alma. Afinal, precisa levar alguma coisa e, com certeza, ninguém vai tirar esse aprendizado. Talvez, quanto maiores os olhos, maior a alma. Quem sabe? Definitivamente, você nunca saberá. Não tem esse direito. Não merece.

E nem pra isso você parece servir. Deu com a cabeça num poste e não adiantou. Continua exatamente o mesmo idiota. Disse que iria adquirir um cachorro, mas preferiu um gato. Não é responsável o suficiente pra criar um bicho tão dependente. Finge que o seu desprezo é “liberdade”, mas na verdade é pura falta de atenção, puro descuido. Nada intencional, só burrisse mesmo.

Agora encara essas páginas em branco que retratam sua vida. Você não passa de uma página sem dono esperando ser lida. Médico doente em busca de saúde. Hoje, se lembra dos dias, dos velhos momentos. Cabelos ao vento, o sol bem à frente. Ria de tudo, parecia piada. Mas a piada era você.

Um violão, uma guitarra, um assovio solitário. Avião no ar sem trem de pouso. Palavras bem grafadas com sentido vazio. Mente projetada em um outro espaço. Que espaço seria esse? Você não sabe. Não faz a mínima idéia de onde seja, ou mesmo de onde esteja.

O destino ri de você.

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Coisas que acontecem por aí…

Caminhar é sempre bom. Fundir-se aos seus próprios pensamentos e apreciar novas sensações surgindo em meio às próprias tempestades filosóficas. E fui num desses momentos que avistei algo que chamou muito minha curiosidade.

Cheguei à uma praça e, ao longe avistei uma garota muito bonita, caminhando ao lado de um garoto na mesma idade. Ao aproximarem-se, notei que a menina estava sendo puxada por uma coleira.

Eram apenas colegiais, deveriam estar no primeiro ou segundo ano do ensino médio.

Que coisa!

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